terça-feira, 24 de dezembro de 2013

GIZ PASTEL SECO (RECEITA PRÁTICA)



Sou apaixonado por desenhos em pastel, em especial aos trabalhos realizados por Edgar Degas. Trabalhar com este material é algo que requer paciência e delicadeza. Fazer suas barras de pastel deve ser uma experiência agradável. Abaixo teremos uma receita básica, mas você poderá trabalhar esta receita até chegar ao ponto desejado. Mantenha um registro de tudo que fizer, pois assim terá como corrigir ou refazer experiências bem sucedidas.


PASTEL SECO

É um material antigo, referido pela primeira vez por Leonardo Da Vinci como um material elegante para "pintar a seco". Este material pode ser utilizado em quase todas as superfícies de papel, mas apresenta um inconveniente na sua utilização, pois uma vez utilizado no suporte pode-se tornar um desafio apagar parcialmente o Pastel Seco sem deixar vestígios.

PASTEL A ÓLEO 

Esse tipo de pastel existe desde a década de 60 do século XX e a sua fabricação é semelhante ao do pastel seco, tendo como diferença o óleo, componente que acabará por dar nome a este material. O Pastel de Óleo pode ser diluído no suporte usando um pincel e, ao contrário do Pastel Seco, é um material que é o excesso pode ser facilmente removido, pois com a ajuda de ferramentas, como uma faca, pode simplesmente retirar-se o engano.

MATERIAL:

*Goma tragacanto (Gel, uma parte de goma para uma de álcool de cereais em 30 partes de água. Coloque em um vidro, agite bem e deixe descansar por 24 horas.).

*Água destilada

*Pigmento (você pode utilizar o pó xadrez)

*Gesso cré precipitado

*Mascara para evitar que respire as partículas de pó.

*Espátula ou faca para trabalhar a massa.

*Um pedaço de vidro ou azulejo para trabalhara a massa.

*Papel toalha


Eu não trabalho com medidas precisas, por isso utilizo um caderno de anotações no qual eu também pinto alguns quadrados e enumero a cor encontrada. Com o tempo você aprenderá as devidas proporções.

PREPARO:



Misture o pigmento com gesso cré e adicione água para umedecer. Vá trabalhando a massa até que a mistura esteja pronta, adicione o um pouco do gel de goma tragacanto até obter uma massinha de modelar. Faça rolinhos do tamanho que preferir e deixe secar sobre o papel por aproximadamente 48 horas. 



Para um mesmo pigmento adicione proporções diferentes para obter tons diferentes.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

MESTRES DO RENASCIMENTO - CCBB BRASÍLIA


Começou dia 12 deste mês a exposição MESTRES DO RENASCIMENTO, e irá até o dia 5 de janeiro de 2014. A exposição conta com obras de Leonado Da Vinci, Rafael Sanzio, Sandro Botticelli, Donatello e outros grandes renascentistas. É uma oportunidade unica para quem gosta de arte; para professores levarem seus alunos; para casais ou para curtir em família.

A arte renascentista surgiu na Itália no século XV. Para muitos não é considerado um estilo, mas uma variedade de estilos e técnicas; com sua estética demasiada realista e suas representações mitológicas ou religiosas. Um período de grande evolução na pintura, com o surgimento de novos suportes e materiais.

Considero este um dos períodos mais fascinantes da historia da arte: por isso acho inconcebível que você perca a oportunidade de deleitar-se com esta coleção incrível. 

Leda e o Cisne - Leonardo Da Vinci

Rafael Sanzio
ÔNIBUS GRATUITO

• O CCBB disponibiliza ônibus gratuito, identificado com a marca do Centro Cultural.
• O transporte funciona de terça a domingo.

Terça a sexta: 
Galeria dos Estados: 11h, 11h55, 13h, 13h50, 14h55, 15h45, 17h, 17h50, 18h55, 20h, 20h45 e 21h50. 
Biblioteca Nacional: 11h05, 12h, 13h05, 13h55, 15h, 15h50, 17h05, 17h55, 19h, 20h05, 20h50 e 21h55. 
UnB Inst. de Artes: 12h10, 14h05, 16h, 18h05 e 19h10. 
UnB Biblioteca: 12h15, 14h10, 16h05, 18h10 e 19h15. 
CCBB: 11h35, 12h40, 13h30, 14h35, 15h25, 16h40, 17h30, 18h35, 19h40, 20h25, 21h30 e 22h45. 
Teatro Nacional: 11h45, 12h50, 13h40, 14h45, 15h35, 16h50, 17h40, 18h45, 19h50, 20h35, 21h40 e 23h*. 

Sábados, domingos e feriados: 
Galeria dos Estados: 11h, 11h50, 12h55, 13h45, 14h55, 15h50, 16h55, 17h50, 18h45, 19h50, 20h35 e 21h45. 
Biblioteca Nacional: 11h05, 11h55, 13h, 13h50, 15h, 15h55, 17h, 17h55, 18h50, 19h55, 20h40 e 21h50. 
UnB Inst. de Artes: 12h05, 16h05 e 19h00. 
UnB Biblioteca: 12h10, 16h10 e 19h05. 
CCBB: 11h25, 12h30, 13h20, 14h30, 15h25, 16h30, 17h25, 18h30, 19h35, 20h20, 21h30 e 22h45. 
Teatro Nacional: 11h35, 12h40, 13h30, 14h40, 15h35, 16h40, 17h35, 18h40, 19h45, 20h30, 21h40 e 23h*. 
Setor Hoteleiro Norte - ao lado da Torre de TV: 11h45, 12h50, 13h40, 14h50, 15h45, 16h50 e 17h45. 

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

"ARVORES DE BRASILIA"

"ARVORES DE BRASILIA" ACRÍLICO SOBRE TELA 87CM X 93CM 2004
Não gosto muito de pintar paisagens, mesmo assim fiz esta tela com representação de um fim de tarde ensolarado. Amo a variedade de arvores que existem espalhadas por Brasilia.




sexta-feira, 9 de agosto de 2013

"NARCISO"

"NARCISO" acrilico sobre tela 92cm X 92cm - 2003
O mito de "Narciso" esta entre os que mais admiro. 

A beleza de Narciso era tão incomparável que ele pensava que era semelhante a um deus, comparável à beleza de Dionísio e Apolo. Como resultado disso, Narciso rejeitou a afeição de Eco até que esta, desesperada, definhou, deixando apenas um sussurro débil e melancólico. Para dar uma lição ao rapaz frívolo, a deusa Nêmesis condenou Narciso a apaixonar-se pelo seu próprio reflexo na lagoa de Eco. Encantado pela sua própria beleza, Narciso deitou-se no banco do rio e definhou, olhando-se na água e se embelezando.As ninfas construíram-lhe uma pira, mas quando foram buscar o corpo, apenas encontraram uma flor no seu lugar: o narciso; e então dai o nome narciso a flor.



Como comentado em uma postagem anterior, esta tela foi atacada por mofo e bolor, sendo preciso passar por um processo de restauração minucioso.




segunda-feira, 15 de julho de 2013

MOFO, BOLOR E TRINCAS NA PINTURA

"ALMOÇO NA RELVA" (uma das partes salvas por Monet)
A primeira vez que soube do ataque de bolor em pinturas foi quando li o livro "Monet" de Christoph Heinrich, pela Editora Taschen. O livro traz o relato da quase total destruição de O ALMOÇO NA RELVA de 4,20 X 6,50 metros. Monet teve que se desfazer do quadro como garantia ao seu senhorio por consequência de meses de aluguel em atraso. Mais tarde quando o pintor resgatou a tela, ela já estava em grande parte destruída pelo bolor. Ele recortou-a sobrando apenas duas partes da obra. Contam que tal obra esteve em seu poder até quase o fim de sua vida.

Para que você possa entender: bolor é o fungo em estágio inicial, quando, sobre diferentes superfícies, fica uma camada em alto relevo na tonalidade acinzentada. Sendo que o mofo é o fungo em estágio avançado, que deixa uns pontinhos pretos; muito difícil de sair quanto encontrado em superfícies fibrosas, principalmente tecidos. 

EXPERIÊNCIA CRUEL:

Tive o desprazer de ter uma de minhas telas("NARCISO") atacada por mofo e bolor. Quando percebi a tela já tinha grande parte de sua superfície atacada por tais fungos. Fiquei muito aborrecido, chegando a pensar em destruir a tela e fazer uma outra, mas depois de algumas pesquisas resolvi usar uma solução de água mineral e vinagre branco. Fiz uma limpeza demorada e bastante minuciosa para que eliminasse ao menos 90% do bolor. Para isto removi a tela do chassi, limpando frente e o verso. A tela ficou em observação por algum tempo para que pudesse ter certeza de que havia eliminado o risco de que tal praga voltasse. Consegui eliminar o fungo, mas restaram algumas manchas, resolvia guardar a pintura para que mais tarde viesse a fazer uma restauração. Mais uma vez tive uma surpresa, sendo que desta vez surgiram trincas na pintura. Demasiado aborrecido, pensei mais uma vez em destruir a tela. Então, mais pesquisa e o desafio de restaura-la. 



Voltei a trabalhar na tela, preparei um novo chassi e estiquei a tela cuidadosamente com medo de que a rasgasse, tendo o cuidado de não tensionar muito e correr o risco de surgir novas trincas. Voltei a trabalhar as cores de minha paleta, o que ajudou muito, pois costumo trabalhar quase que sempre com as mesmas cores. Depois de muito trabalho a tela ficou pronta, ganhou um aspecto diferente do que era antes, mesmo assim agradou-me muito.

COMO PODE TER OCORRIDO:

Comecei a a fazer experiencias com gesso acrílico, pois sempre achei legal trabalhar processos de tal alquimia. Ter a possibilidade de preparar meus próprios suportes sempre foi algo que sempre me atraiu muito. Escolher o tecido de algodão, preparar o gesso na devida proporção de gesso e goma, montar o chassi e esticar a tela. Então posso descrever alguns pontos que hoje ajudam-me a prevenir muitos problemas:

1 - Costumo lavar o tecido antes de usá-lo e enxaguá-lo bastante;

2 - Estico o tecido e aplico uma leve camada de gesso acrílico, deixo secar e plico mais uma demão;

3 - Estico a tela no chassi sem fazer muita tensão, mas tendo o cuidado de que não fique frouxa e venha a surgir mossas após a pintura da tela;

4 - Aplico uma camada de base de goma feita de grãos de pele de coelho, o que protege consideravelmente contra sujeira e reduz a taxa de degradação.

Estas são as dicas que tenho a respeito de tais problemas. Estou sempre em busca de novas técnicas, estudando sempre para continuar aprimorando minha técnica. Aprendendo com os erros e brincando com a imaginação.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

"EROS" (AUTORRETRATO)

"EROS" ACRÍLICO SOBRE TELA  100CMX100CM
Sempre fui apaixonado pelo mito de Eros. Achei que um dia iria encontrar o modelo ideal para esta tela. Um dia por acaso fiz uma fotografia minha, e foi ai que percebi que poderia fazer um autorretrato, escolhendo assim o mito de Eros como tema. Comecei a pintar quase que imediatamente, e levei três semanas para concluir. Surge assim a figura de um homem com uma flecha solida e mortal. Um arco cravejado de pedras, ereto e extremamente másculo. Talvez não tenha sido isto que havia planejado, mas era um cupido de ar melancólico e apaixonado. Suas asas rubras num tom de pura paixão e extremo calor. 


Eros (em grego Ἔρως; no panteão romano Cupido) era o deus grego do amor. Hesíodo, em sua Teogonia, considera-o filho de Caos, portanto um deus primordial. Além de o descrever como sendo muito belo e irresistível, levando a ignorar o bom senso, atribui-lhe também um papel unificador e coordenador dos elementos, contribuindo para a passagem do caos ao cosmos. Posteriormente foi considerado como um deus olímpicos, filho de Afrodite e de Hefesto ou Zeus, Hermes ou Ares, conforme as versões. Tendo, certa vez, Afrodite desabafado com Métis (ou Têmis), queixando-se que seu filho continuava sempre criança, a deusa lhe explicou que era porque Eros era muito solitário. Haveria de crescer se tivesse um irmão. Anteros nasceu pouco depois e, Eros começou a crescer e tornar-se robusto.








sexta-feira, 21 de junho de 2013

"A REVOLTA DOS CENTAVIANOS"


As manifestações que aconteceram até o momento eram para ser pacificas sim, mas infelizmente algumas pessoas oportunistas utilizam de violência para depredar ou saquear. Estes não representam a grande maioria de homens corretos e de atitudes glorificadoras que ali estavam. 

Durante os protestos em Brasília começaram a acontecer alguns focos de violência, então uma parte daqueles que não apoiavam estas atitudes começaram a ficar de cocoras para poder identificar estes baderneiros. Digo isto por estar presente e por saber que a maioria compareceu para lutar por seus direitos. Cidadãos que acreditam que podem contribuir para fazer deste um país melhor para todos e não somente para uma maioria de abastados. 

"Poder do povo... Poder para o povo..."

Sei que todos os dias somos lesados por parte de nossos representantes, não o digo que são todos, mas uma grande maioria. Sei que nosso sistema de saúde publica esta cada dia mais doente. Sei que cada dia que passa nosso sistema educacional esta cada vez mais esquecido. O transporte público esta simplesmente caótico para pagarmos tão caro por este serviço. Não me falem de cura gay quando na verdade é o país que esta doente, acometido por um câncer beirando a metástase.  Não me falem de cotas quando existe uma imensidão de pessoas que só conseguem sobreviver, quando na verdade precisamos viver melhor. Eu quero o voto aberto para sabermos quem aprova o quê e porque. Não me digam que A MARCHA DAS VADIAS é uma vergonha, que como bem sei, são mulheres mostrando a cara para um mundo cruel. Não quero nem pensar que um dia eu poderei envelhecer e descobri que a única coisa que fiz foi cruzar os braços. Não, não mesmo, estou aqui.

"Larguei meu livro de química para entrar para os livros de história."

Então eu vi uma nação reerguendo-se contra um sistema cheio de corrupção, armados com vidrinhos cheios de vinagre, lacrimejando, recuando e avançando novamente. Ouvi um menino gritando para não recuar pois era isto que eles queriam, e tinha tanta força na voz daquele menino que chegava a dar arrepios. Alguns manifestantes atiraram rojões na tropa de choque, mais uma vez nos abaixamos para que esses poucos fossem identificados. Nos rostos marcados pela vontade de mudar. Querendo que a mudança chegue o mais breve possível. Todas as idades... Todos os sonhos... Todas as formas de se manifestar. 

"Meu povo esta sendo destruído por falta de conhecimento."

Não aceitamos a presença de nenhum partido politico, chega de oportunistas! Chega de demagogistas tentando tirar proveito de tudo. Esta bandeira é nossa, fomos nós que a tecemos com toda nossa garra e suor. Este é nosso grilhão. Nosso momento como legítimos patriotas. Como homens honestos e que sustentam este pais que de tão rico faz as vezes de cego e é prostituído por homens inescrupulosos. Cafetões dissimulados que estão no poder. Nosso pais não precisa disto. Queremos ele liberto. Queremos um pais de homens felizes e vivendo dignamente. 

"Desculpem os transtornos! Estamos construindo um país melhor."

Os CENTAVIANOS foram se unindo, se multiplicando, criando uma corrente que se espalhou pelo pais. Digo CENTAVIANOS visto que este foi o estopim para onda de manifestações: pois que por um momento aquilo que parecia um absurdo incompreensível para muita gente, foi sendo esclarecido. Esses vinte centavos não foram em nem nunca será pouco. Apenas saibam que é de vinte em vinte centavos que nós somos imolados todos os dias. E mesmo que fosse um centavo, ainda assim seria muito, multiplicado por cada um de nós e por cada novo reajuste que acontecer chegaremos a casa dos milhões. Sei que reajustes devem acontecer, desde que com base nestes reajustes tenhamos melhorias em tais campos. Chega de saqueadores sorridentes!

"Gigante pela própria natureza, desperta e mostra que não és um cego."

Então o gigante acordou. Ficou de pé e fez seu grito ecoar país a fora. Cantou... Avançou... Recuou... Avançou novamente... Gritou... Chorou... Sorriu... Abraçou fortemente esta causa. Quão bela sua figura se fez, mesmo em momentos desconcertantes. Sentou no gramado e contemplou a imensa lua no céu. Cobriu-se com seu manto verde... Sorriu! Verás então homens incrédulos que o filho teu não foge à luta. Saiba que em tempos difíceis basta sussurrar seu nome que ele de prontidão te apoiará. Levanta gigante! Em oníssono nós gritamos seu nome! Teu nome me enche de forças! Teu nome é BRASIL.

"Podeeeerrrrrrrrrrrrrr!
Poder do povo!
Podeeeerrrrrrrrrrrrrr!
Poder para o povo!
Podeeeerrrrrrrrrrrrrr!
Para um Brasil novo!

quinta-feira, 6 de junho de 2013

"LAZÚLI" "

"LAZÚLI" 20X30cm (NANQUIM, LÁPIS E PASTEL SECO SOBRE CANSON)
"LAZÚLI" 


Comecei este desenho a partir de um rabisco feito por acidente com grafite. Então imaginei que fosse parte de um quimono azul, e foi só dar continuidade a imaginação, embora o mesmo não tenha sido pintado de azul. Trabalhei o desenho em nanquim, como na época de escola quando usava as canetas bic para desenhar mas nunca chegasse ao ponto desejado. Hoje é possível encontrar as mais lindas gravuras feitas com tais canetas. 


Despretensiosamente consigo melhor rendimento quando não me comprometo com a perfeição, ai tudo que faço vai compondo aos poucos algo bem mais singelo. Não existem traços errados, apenas traços redirecionados. Cada detalhe surge naturalmente... É como um de meus poemas que acho que precisam ser melhorados e que mesmo assim os dou por concluídos. 


Me diga onde perdeu seus pensamentos para que eu possa encontrar a minha felicidade...

terça-feira, 28 de maio de 2013

"Réstia"

"Das pestes vagas nos desertos,
Conforme seja dado por morto.
Faz de ti a figura que desaparece
Da penumbra tosca dum encosto.

Conforme o dito por não dito,
Do calar repentino veio grito.
De súbito a voz perdida
Canta o desencanto em vida.

Que busca o abraço largo
No mais estreito dos fardos:
Como quem perde a alegria
Rente ao lábio desejoso.

Lança ao vento tuas palavras,
Pois de ti doces a amargas.
Minto a mim mesmo o querer
Para morrer conformado.

Quem me dera este absinto,
Sorvesse como se tu fosse.
Tal qual guerreiro vitorioso 
A devorar quem foi vencido.

Não demora muito agora,
Com o sol a romper aurora.
Rasga...
Nem sequer chora.

Dorme criatura vil.
Nem se apercebe que vou...
Que mesmo querendo ficar...
E fico de tolo que sou.

Sangro dos pés que te rondam,
Um menestrel incansável.
Cativo...
De quem se faz envaidecido. 

Reside em mim ultimo alento
Que de ti nada sustenta...
A não ser min'halma incauta
Em pleno descontentamento.

Dorme...Que do alto da muralha,
Donde quase tudo vejo,
E me esvazio do mundo
No meu imenso desejo."

quinta-feira, 23 de maio de 2013

MODIGLIANI


AMADEO CLEMENTE MODIGLIANI, nascido em Livorno na Itália, em 12 de julho de 1884. Ele foi o quarto filho de Flaminio Modigliani e Eugénie Garsin, que era filha de Isaac e Régine Garsin. Na época, os Garsin eram relativamente abastados - sobretudo um dos irmãos de Eugénie, Amédée Garsin, que enriquecera especulando com imóveis e mercadorias. No entanto os Modigliani tinham empobrecido, chegando à falência. Flaminio dedicava-se aos vários negócios da família, que incluíam mineração e agricultura na Sardenha, além de atividades comerciais em Livorno. Mas os negócios andaram mal. Foi o nascimento de Amedeo que salvou a família da ruína total, pois, de acordo com uma lei antiga, os credores não podiam tomar a cama de uma mulher grávida ou de uma mãe com um filho recém-nascido. Os oficiais de justiça entraram na casa da família, justamente quando Eugénie entrou em trabalho de parto. A família então protegeu seus pertences mais valiosos colocando-os por cima da cama da parturiente.


Quando criança foi acometido por várias doenças graves - pleurisia, tifo e tuberculose, que comprometeram sua saúde pelo resto da vida e cujo tratamento forçava-o a constantes viagens, até sua mudança definitiva para Paris, em 1906. Devido ao problemas de saúde não pôde ter educação formal e voltou-se para o estudo da pintura, iniciado na cidade natal, que prosseguiu em Veneza e Florença. Foi sua mãe que teve importante papel em sua educação, sendo estas aulas até os dez anos de idade. Os primeiros desenhos surgiram de forma precoce, antes mesmo de ir para a escola. Aos quatorze anos, durante uma crise de febre tifoide, ele delirava e, em seu delírio, falava que queria acima de tudo ver as pinturas no Palazzo Pitti e nos Uffizi, em Florença. Sua mãe então prometeu a ele que, assim que se recuperasse, ela o levaria a Florença; de fato, não só cumpriu a promessa como permitiu que o filho fosse trabalhar no estúdio de Guglielmo Micheli, um dos pintores mais conhecidos de Livorno, de quem Amedeo recebe as primeiras noções de pintura. Foi lá que adquiriu grande conhecimento e com grande voracidade captava tudo que estava ao seu redor e nutria sua alma de todo esplendo e paixão por pintura. No ateliê de Micheli, ele conhecerá, em 1898, o grande Giovanni Fattori, sendo assim influenciado pelo movimento dos Macchiaioli, em particular pelo próprio Fattori e por Silvestro Lega.


Era um boêmio, um homem da noite que apreciava absinto e retratava suas raparigas nuas e que muito escandalizaram a sociedade da época. Não tem como não ficar apaixonado por suas aventuras amorosas e pelas belas telas nascidas de tais paixões. Um homem que evocava Cézanne em suas pinturas, com sua paixão notada pelos traços da arte africana. Sim, foi na arte africana que ele mais espelhou sua obra, com suas formas alongadas e de uma falsa beleza singela. Falsa, pois existe ai um grande engano, vejo nelas uma complexidade e uma força a qual não consigo descrever.

Certa vez ele procurou um negociante de artes para vender algumas de suas telas, e o negociante sabendo de suas necessidades ofereceu uma quantia irrisória pelos quadros, ofendido, o pintor pega uma vara fura as telas e sai pelas ruas com elas penduradas às costas.

Em 1906, Modigliani transfere-se para Paris e, ao fim de três anos de vida boêmia, executa uma de suas obras mais importantes: O violoncelista, que expôs no Salão dos Independentes de 1909.


Sua grande musa foi Jeanne Hébuterne, uma joven de dezenove anos que estudava na Académie Colarossi e com quem teve uma filha, Jeanne, em 1918. Complicações na saúde fazem o pintor viajar para o sul da França com a esposa e a filha, a fim de recuperar-se. Retorna a Paris ao final de 1918.

Estava cada dia pior e não tinha muito a ser feito. Foi na noite de 24 de janeiro de 1920, aos 35 anos, Modigliani morre de tuberculose. No dia seguinte à morte do companheiro, Jeanne, grávida de nove meses, suicida-se, atirando-se do quinto andar de um edifício. Uma grande multidão assiste o funeral de de ambos no famoso Cemitério do Père-Lachaise, em Paris. A filha Jeanne é adotada pela irmã de Modigliani, e mais tarde veio a escrever a biografia de seu pai. 




sexta-feira, 12 de abril de 2013

NANQUIM


A tinta nanquim é de origem chinesa, preparada com  negro-de-fumo(pó-de-sapato). Pode ser utilizada em escrita ou desenhos. Com ela podemos conseguir as mais belas gravuras se empregarmos a técnica correta e muita dedicação. Sou apaixonado por desenhos, embora saiba muito bem que este não é o meu forte nunca deixei de praticar com nanquim. Para as pessoas que estão iniciando na técnica meu conselho é ter paciência e muita paixão por arte mesmo. 
ESTOJO DE CANETAS DESEGRAPH

Para trabalhar com nanquim eu utilizo as canetas DESEGRAPH, com as quais me adaptei muito bem. Sei que existem outras marcas no mercado que são muito boas, mas prefiro esta marca. Estas canetas requerem um trabalho e manutenção especial, como todo material de um ateliê. Principalmente se você demorou muito para conseguir ou adaptar suas ferramentas. Costumo limpar minhas canetas sempre que termino um trabalho. Normalmente elas vem acompanhadas de um pequeno manual de limpeza, embora para muitos seja apenas uma caneta eu aconselho que não deixe de lê-lo.


GUEIXA
NANQUIM, AGUARELA E PASTEL SOBRE PAPEL PARANÁ
30cmX60cm



Desenvolvida pelos chineses há mais de 2000 anos, é constituída de nanopartículas de carvão suspensas em uma solução aquosa. Embora, normalmente, nanopartículas dissolvidas em um líquido se agreguem, formando micro e macro partículas que tendem a se depositar, se separando do líquido, os chineses antigos descobriram que era possível estabilizar a tinta nanquim pela mistura de uma cola (goma arábica) na solução com pó de carvão e água. Hoje, é possível entender que, ao se ligarem à superfície das nanopartículas de carvão, as moléculas de cola impedem sua agregação e, portanto, sua separação do seio do líquido.

A tinta nanquim é muito parecida com a tinta sumi, de origem japonesa para a arte sumi e que tem, como composição, fuligem, colas especiais (goma arábica), água e especiarias. Os japoneses antigos tinham o costume de adaptar coisas trazidas da China, tal como o koto.

Hoje podemos encontrar nanquim em várias cores, o que torna possível composições belíssimas, muito embora eu prefira os trabalhos apenas com o preto.
Não tenha medo de tentar usar o nanquim, basta voltar a ser criança e desenhar tudo que vier a sua mente.
SAMURAI

NANQUIM, AGUARELA E PASTEL SOBRE PAPEL PARANÁ
30cmX60cm